O Parque Oriental, localizado em Campanhã, é o segundo maior parque do Porto, seguindo-se ao Parque da Cidade.
Projetado pelo arquiteto Sidónio Pardal, desenvolveu-se um parque linear ao longo das margens do Rio Tinto, com um total de 16,7 hectares de espaço verde, desde do Freixo até ao Pego Negro, onde existem diversas vias pedonais e cicláveis. Atualmente, através destas vias, o Parque Oriental está interligado com o Parque da Alameda de Cartes, numa visão de um Porto mais conectado.
Através da reabilitação do Rio Tinto em 2016, foi possível expandir o Parque, inicialmente com 8,7ha, em mais 8ha de área verde onde foi introduzido um leque de espécies arbóreas (perenifólias e coníferas) e de espécies arbustivas variadas. Para além disso, o pinheiro manso, o carvalho-alvarinho, o Cupressocyparis leylandii, a faia, os salgueiros, as azáleas, as camélias e os rododendros são dominantes ao longo de todo o percurso, acentuando a estrutura linear do parque. Esta diversidade acentuará também os contrastes entre os troços do caminho ao longo das épocas do ano, explorando os efeitos da cor da folhagem e da floração e imprimindo um sentido dinâmico e de fractalidade à paisagem do parque.
Os mais de 16 hectares de área verde prestam vários serviços de ecossistemas que contribuem simultaneamente para a melhoria da qualidade do ar, regulação térmica, aproveitamento de cursos de água, promovem a biodiversidade e facilitam a retenção e infiltração da água da chuva ao nível freático.
A ação de despoluição e reabilitação do Rio Tinto terminou com a conclusão da obra do seu intercetor, em 2019, e permitiu que fosse recuperada a profissão de guarda-rios, que já esteve extinta. Em parceria com a LIPOR, estes profissionais realizam inspeções e manutenções no Parque Oriental e investigam a presença de poluição no curso de água e nas suas margens, com o objetivo de priorizar a preservação do ecossistema e da biodiversidade. A partir de 2019 já começaram a ser avistados patos, salamandras e tritões nesta linha de água.
O projeto “Os Polinizadores do Parque” é responsável, desde 2021, por definir as práticas de manutenção da área verde do parque com o objetivo de criar condições para a atração e sustentabilidade de comunidades de insetos polinizadores. Articulando três áreas de conhecimento (arquitetura paisagista, botânica e entomologia), a estratégia deste projeto passa pela alteração de práticas de manutenção que permitem que as plantas anuais e bianuais completem o seu ciclo reprodutivo e, dessa forma, que os animais, em especial os insetos polinizadores, usufruam dos recursos florísticos. É possível observar no Parque insetos como Abelha-do-mel, Abelhões, Abelhas solitárias, Vespas, Sirfídeos, Outras moscas, Borboletas, Traças e Coleópteros.
Este parque incorpora também um charco, construído em parceria com o CIIMAR no âmbito do projeto MoRe Porto, agora Água com Vida Porto, que promove a biodiversidade de fauna e flora em meio aquático e garante a proteção de espécies como a rã-de-focinho-pontiagudo, anfíbio com estatuto de ameaçado e presença limitada em zonas urbanas.
Resultante da sua biodiversidade diversificada, o Parque Oriental é habitat para muitas espécies de fauna e, por isso, alberga várias sessões de projetos como Noites de Morcegos e Anilhagem Científica de Aves. Em dezembro de 2025, na sequência de uma destas sessões, foi anilhada e devolvida à liberdade uma felosa-sombria (Phylloscopus fuscatus) – uma ave de ocorrência muito rara em Portugal e com origem na Ásia. Este registo é um exemplo da importância dos espaços verdes em meios urbanos.












