A Escola Básica do Falcão serviu de edifício piloto para receber um conjunto de soluções baseadas na natureza especialmente desenhadas e criadas para aumentar o conforto bioclimático no interior e ao mesmo tempo potenciar a resiliência às alterações climáticas.
Esta escola apresentava inicialmente problemas como desconforto térmico, devido às fachadas e telhados de cimento que acumulavam calor no verão e perdiam energia no inverno comprometendo a temperatura interior e provocando picos de consumo energético, alagamentos e inundações causados pela impermeabilidade do solo, perdas de água da chuva para o sistema de águas pluviais, humidades e infiltrações e qualidade do ar medíocre.
Face a estas dificuldades, as principais soluções implementadas foram: quatro coberturas verdes com sistemas de reaproveitamento de águas pluviais, uma fachada verde e painéis fotovoltaicos para produção de eletricidade para autoconsumo.
As coberturas verdes ocupam mais de 660m2 e são compostas por:
- Uma cobertura inclinada – 38m2 – composta por 10cm de substrato e vegetação do género Sedum L.
- Duas coberturas GUL – 400m2 – que utilizam um protótipo inovador baseado no sistema Green Urban Living consistindo num aglomerado de cortiça expandida ICB (Insulation Cork Board) para regulamento térmico. Estas coberturas têm uma camada de 12cm de substrato com espécies herbáceas para promover a biodiversidade (Allium schoenoprasum, Carex buchananii, Festuca amesthystina, Limonium vulgare, Satureja montana, Saponaria ocymoides, Sedum album, Sedum floriferum, Sedum sediforme, Sedum spurium, Petrorhagia saxífraga).
- Uma cobertura BioSolar Roof – 225m2 – onde estão instalados os painéis fotovoltaicos. A cobertura apresenta uma camada de 10cm de substrato plantado com espécies como Allium schoenoprasum, Carex buchananii, Festuca amesthystina, Limonium vulgare, Satureja montana, Saponaria ocymoides, Sedum album, Sedum floriferum, Sedum sediforme, Sedum spurium, Petrorhagia saxífraga.
A fachada verde tem 6m de altura e 5,7m de largura, totalizando uma área de 34,2m2, composta por Parthenocissus Tricuspidata, uma espécie de folha caduca que proporciona sombra no verão e aproveitamento de luz natural no inverno.
Os cerca de 700m2 de coberturas de fachada verdes permitiram uma refrigeração natural do edifício no verão e isolamento no inverno, proporcionando uma menor amplitude térmica e reduzindo os consumos associados à climatização. Em 8 meses de registos foi verificada uma diminuição da temperatura de 5,4°C na cobertura do edifício.
Estes telhados ajardinados contribuíram também para a diminuição dos riscos de fissuras e infiltrações ao absorverem parte dos impactos provocados pela erosão.
A água recolhida pelos coletores das coberturas representa uma redução da perda de água da chuva de 30% para 3,74%. Posteriormente, a água é reutilizada para alimentar um charco natural de 28 m2, localizado dentro da Horta Comunitária da Oliveira adjacente à escola, que também foi criado no âmbito deste projeto, constituindo um reservatório de biodiversidade para anfíbios e macroinvertebrados aquáticos e um recurso educativo vivo.
Estas soluções permitiram um aumento de 168,94% das áreas verdes, atingindo uma superfície total de 1.076,94 m2. Nestes novos espaços já apareceram 26 novas espécies, principalmente insetos voadores, moscas, mosquitos, himenópteros e algumas espécies do género Armadillium, que são indicadores da qualidade do habitat.













